A Steam Machine da Valve roda Linux, mas nem chega a ser vendida no Brasil: o que o Modo Desktop SteamOS tem a ver com papel de parede animado
Há pouco mais de um mês a Valve finalmente lançou a Steam Machine, seu PC compacto de sala de estar, depois de anos trabalhando discretamente no projeto após a primeira tentativa, mal sucedida, lá em 2015. Já é um produto real nos Estados Unidos, sentado embaixo da TV de bastante gente, e roda SteamOS, o mesmo sistema baseado em Linux que já move o Steam Deck, não Windows. No Brasil, porém, a história é bem diferente: até agora não há preço oficial, data de lançamento nem confirmação de venda direta por aqui. A Valve simplesmente não vende hardware oficialmente no país.
Isso não tira a relevância do assunto, muito pelo contrário. O detalhe mais interessante para quem já usa fundos de tela animados como o Gloomia não é o console em si, mas o que ele revelou sobre o SteamOS: por baixo do Modo Jogo estilo console existe um desktop Linux completo, e desde a atualização SteamOS 3.8 a Valve liberou geral para instalar esse mesmo sistema em qualquer PC montado com peças próprias.
| Especificação | Steam Machine |
|---|---|
| CPU | AMD Zen 4 semicustomizada, 6 núcleos / 12 threads |
| GPU | AMD RDNA 3 semicustomizada, 28 unidades de computação |
| Memória de vídeo | 8 GB GDDR6 dedicada |
| Memória do sistema | 16 GB DDR5, canal único |
| Meta gráfica | 4K a 60 fps com upscaling FSR |
| Desempenho estimado | Comparável a uma RX 6600 ou RTX 3060, segundo benchmarks independentes |
| Preço EUA (512 GB, sem controle) | US$ 1.049 |
| Preço EUA (2 TB, com controle) | US$ 1.428 |
Quanto custaria importar uma, na prática
Nos Estados Unidos, a Steam Machine custa a partir de US$ 1.049 para o modelo de 512 GB sem controle, subindo até US$ 1.428 na versão de 2 TB com o Steam Controller incluso no pacote. Sem venda oficial no Brasil, a única forma de entrada é a importação, e somando impostos, frete internacional e taxas administrativas, o valor final facilmente passa de R$ 10.000, bem acima da conversão direta do preço americano. Para efeito de comparação, esse é o tipo de valor que compra um PC gamer completo e de sobra montado por aqui.
A Valve defendeu publicamente essa política de preços, afirmando que o objetivo é manter o ecossistema PC aberto em vez de subsidiar o hardware no prejuízo, como costumam fazer os fabricantes de consoles tradicionais, vendendo o aparelho abaixo do custo para recuperar a margem depois nas vendas de jogos. Outro detalhe relevante para quem pensa em importar sem o controle incluso: a Valve afirmou explicitamente que não é para esperar o Steam Controller avulso à venda separadamente antes de 2027, então quem ficar de fora do pacote com controle vai precisar usar um controle de outra marca ou teclado e mouse até lá.
O hardware por baixo do capô
Por dentro, a Steam Machine usa uma APU semicustomizada da AMD com arquitetura Zen 4, seis núcleos e doze threads, junto de uma GPU semicustomizada RDNA 3 com 28 unidades de computação e 8 GB de memória de vídeo GDDR6 dedicada. Para conter os custos depois da disparada no preço da memória, a Valve acabou reduzindo o sistema para um único módulo de 16 GB em vez da configuração dual-channel planejada originalmente, uma mudança que analistas independentes mediram como uma perda de desempenho de cerca de 20% em tarefas sensíveis à largura de banda de memória, na comparação com a configuração dual-channel original.
Um detalhe que surpreendeu até quem criticou o preço foi o quão silencioso o aparelho é na prática. Testes independentes mediram a Steam Machine em torno de 35,4 dBA com o cooler no máximo e o painel frontal fechado, caindo para cerca de 23 dBA em rotações reduzidas, mantendo as temperaturas sob controle o tempo todo. Para uma caixa pensada para ficar ao lado da TV da sala em vez de embaixo da mesa, é uma escolha de projeto que se nota, e que contrasta com o quanto muitas mini PCs de ponta costumam ficar barulhentas sob carga sustentada.
O que realmente importa: o desktop escondido por baixo do Modo Jogo
O SteamOS liga por padrão no Modo Jogo, uma interface estilo console pensada para controle que esconde quase todo o sistema operacional por baixo, exatamente como no Steam Deck. Mas apertando o botão Steam, entrando em Energia e escolhendo Mudar para Desktop, aparece um ambiente KDE Plasma completo: barra de tarefas, gerenciador de arquivos, navegador, terminal e o Discover, a central de software do KDE, que instala aplicativos adicionais via Flatpak, o formato de pacote usado amplamente em várias distribuições Linux.
SteamOS agora roda em qualquer PC, não só na Steam Machine oficial
É aqui que o assunto fica genuinamente relevante para quem está no Brasil sem acesso fácil ao hardware oficial. Com a atualização SteamOS 3.8, a Valve deu sinal verde para instalar o SteamOS diretamente em um PC de peças próprias, não só no console vendido pela Valve. Isso significa dar uma olhada no mesmo Modo Desktop KDE Plasma usando um computador que você já tem, sem pagar o preço de importar um hardware que, no fim das contas, nem é vendido oficialmente por aqui.
E o Gloomia entra onde nisso tudo?
No papel, o Modo Desktop é um ambiente KDE Plasma real sobre Linux, exatamente a categoria de desktop para a qual o Gloomia já tem uma versão nativa e assinada, com janelas, um sistema de arquivos onde dá para instalar software via Flatpak, e a possibilidade de rodar aplicativos fora da biblioteca da Steam. Vale ser honesto, porém: isso não foi testado especificamente em hardware oficial da Steam Machine, e o sistema de arquivos somente leitura do SteamOS continua sendo um obstáculo real para instalar qualquer coisa fora do Flatpak. Quem já usa o Gloomia em um desktop Linux convencional encontra o passo a passo completo no guia do Gloomia no Linux, que cobre a instalação em um ambiente KDE Plasma padrão, ainda que não especificamente o de uma Steam Machine.
Vale lembrar também que, num computador dividido entre jogos e uso do dia a dia, nem toda cena pesa igual na GPU, tema que a guia de bateria e impacto na GPU detalha caso a caso. E quem já tem a licença do Gloomia Pro ou está com dúvida de como ativá-la numa máquina nova encontra o passo a passo no guia da licença Pro.
Vale a pena esperar pela Steam Machine ou já dá pra aproveitar agora?
Para quem quer especificamente o hardware oficial da Valve rodando em 4K debaixo da TV, a resposta honesta hoje é esperar: sem venda oficial no Brasil, importar custa caro demais para a maioria. Mas para quem só queria experimentar o Modo Desktop KDE Plasma do SteamOS e usar um fundo de tela animado num ambiente Linux, isso já é possível agora mesmo, instalando o SteamOS num PC próprio graças à liberação trazida pela versão 3.8, sem esperar preço nem data de lançamento no Brasil. Toda a coleção de fundos de tela do Gloomia, incluindo os que rodam bem em Linux, pode ser conferida ao vivo na biblioteca de wallpapers antes de qualquer decisão de compra.
Perguntas frequentes
A Steam Machine da Valve já é vendida oficialmente no Brasil?
Não. Até agora não há preço oficial, data de lançamento ou confirmação de venda direta da Steam Machine no Brasil. A Valve não vende hardware oficialmente no país, então a única forma de entrada é por importação, com valores acima da tabela de preços dos Estados Unidos.
Quanto custa a Steam Machine nos Estados Unidos?
A partir de US$ 1.049 para o modelo de 512 GB sem controle, chegando a US$ 1.428 na versão de 2 TB com o Steam Controller incluso no pacote.
Quanto custaria importar uma Steam Machine para o Brasil?
Considerando impostos de importação, frete internacional e taxas administrativas, o valor final pode facilmente ultrapassar R$ 10.000, bem acima da conversão direta do preço americano.
É possível ter o mesmo modo desktop SteamOS sem comprar a Steam Machine?
Sim, em parte. Desde a atualização SteamOS 3.8, a Valve liberou a instalação do SteamOS em qualquer PC com peças próprias, não só no hardware oficial da Valve, o que permite testar o mesmo Modo Desktop KDE Plasma em um computador que você já tem, sem pagar o preço de importação de um hardware que nem chega a ser vendido oficialmente aqui.
O Gloomia funciona no Modo Desktop do SteamOS?
O Modo Desktop é um ambiente KDE Plasma real sobre Linux, a mesma categoria de desktop para a qual o Gloomia já tem uma versão nativa e assinada. Em teoria as peças se encaixam, mas isso não foi testado especificamente em hardware oficial da Steam Machine, e o sistema de arquivos raiz somente leitura do SteamOS dificulta instalar qualquer coisa fora do catálogo Flatpak sem desativar deliberadamente essa proteção, algo que a própria Valve desaconselha para a maioria dos usuários.
Dê vida à sua área de trabalho
Três papéis de parede grátis para sempre. Windows, macOS e Linux.
Obter o Gloomia